Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

 
 
O Reino da Loucura divide-se entre os que não têm clube e os que têm dois.
 
in "Axiomática Futebolística", de Tó Carlos, a ser editado em breve pela TEA FOR ONE.

Sexta-feira, 22 de Março de 2013


A partir de agora, os títulos disponíveis da TEA FOR ONE encontram-se também à venda na livraria LER DEVAGAR, em Lisboa, e em breve nas suas "delegações" em Óbidos.

Organizado por Armando Silva Carvalho, José Alberto Oliveira, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas, e editado pela FNAC e pela Documenta, com as receitas a reverterem a favor da AMI, "Resumo - a poesia em 2012", inclui 4 poemas publicados pela TEA FOR ONE: de A. Maria de Jesus, Manuel Paes, Ricardo Álvaro e Rui Caeiro.

Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013

Domingo, 17 de Fevereiro de 2013



Alguns aspectos do lançamento dos livros "Lisboa Oriental", de Manuel Filipe, e "este é o meu corpo", antologia de poemas sobre o pão, no bar do Teatro A Barraca (fotos: Joana Azevedo e Sandra Filipe).

Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013

Todos os livros da Tea for One custam 8 euros (portes incluídos). Encomendas: t41editores@gmail.com

Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013

 
 
A editora TEA FOR ONE tem o prazer de convidar V. Exas. para, no Sábado dia 16 de Fevereiro, pelas 18h, no Teatro A Barraca, em Lisboa, assistirem ao lançamento dos seus dois mais recentes títulos:
 
Lisboa Oriental / Oriental Lisbon
de
Manuel Filipe
 
e
 
Este é o meu corpo
antologia de poemas sobre o pão
de
Álvaro Cunha, Ana Isabel Soares, Ana Zanatti, António Barahona, João Miguel Henriques, M. Parissy, Ricardo Álvaro, Ricardo Marques, Rosa Guimarães, Rui Cardoso Martins, Salwa Azar e Vítor Nogueira.
 
Ambos os volumes têm ilustrações de Sandra Filipe e paginação de Inês Mateus.


Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

 
No mais recente número da revista "Telhados de Vidro", a Tea for One é mencionada num artigo de Rosa Maria Martelo acerca de Inês Dias, bem como num anúncio à Livraria Paralelo W, onde o nosso catálogo disponível se encontra à venda.

Sábado, 6 de Outubro de 2012


 
 
A partir desta semana, às Quintas, pelas 22.30h, o Bar A Barraca volta a apresentar sessões semanais de poesia, uma tradição que, em tempos, lhe granjeou enorme fama (para além de ter dado brado nas touradas).

As leituras estarão a cargo do douto poeta Miguel Martins, que, para além da lírica, dá cartas no badmington (pares femininos), na pasteurização de lacticínios (sem glúten) e no bacará.

As sessões prometem ser relativamente breves, pelo que os convivas que assim o entenderem poderão estar em casa antes da meia-noite, embora também possam permanecer no bar até cerca da 1.58h (dependendo das condições atmosféricas) e enfrascar-se como gente grande(ou como o Marques Mendes).

Todas as semanas, o bardo será acompanhado por um outro artista de gabarito internacional (actor, poeta, artista plástico, músico, ministro da presidência, gatuno, etc), que ajudará a abrilhantar o evento.

Esta Quinta serão lidos poetas publicados pela editora TEA FOR ONE. Entre outros: Ana Salomé, Luís Filipe Parrado, Manuel Filipe, Ricardo Álvaro, Rui Miguel Ribeiro, Abel Neves, A. Maria de Jesus, Inês Dias, Jaime Rocha, Luís Pedroso, Manuel de Freitas, Marta Chaves, Rui Caeiro, Vasco Gato e Filipe Homem Fonseca.

Aliás, este último, na sua qualidade de guitarrista sem par (trata Clapton por “bambino” e consta que terá cortado relações com Django, em virtude de uma desavença em torno da qualidade relativa de dois salpicões das Beiras), participará desta primeira sessão, demonstrando, uma vez mais, porque foi merecedor dos mais rasgados encómios por parte de revistas como a New Musical Express e a Gina.

Quem não aparecer demonstrará inequivocamente que, do ponto de vista ético-intelectual, ombreia com o Relvas.

Até Quinta!

Quinta-feira, 4 de Outubro de 2012


 
 


SEMENTES


Havia dois atalhos pelo meio do pinhal,

direcções espantosamente precisas, animais

que não voltei a ver. Enquanto as colheitas

amadureciam nos campos, havia talismãs

pendurados nas árvores e mercúrio para tratar

certas lesões, uma peça vital do equipamento.

Havia girassóis à volta da casa e as palavras imortais

dos espantalhos, uma forma de evitar

que eu desse em doido. E havia um muro

que era preciso saltar, a manhã gloriosa

da escalada, a ciência das grandes migrações.

 

Mas não vale a pena entrar em mais detalhes.

Este é o meu corpo. Esta é a minha mente.

Conhecem-se desde a infância e cumpriram pena juntos.

 

Do futuro nada sei. Apenas que vem aí.
 
 
Vítor Nogueira
 
(poema a incluir em "Este é o meu corpo", antologia de poemas sobre o pão, a editar proximamente pela TEA FOR ONE, na qual participarão igualmente Álvaro Cunha, Ana Soares, Ana Zanatti, M. Parissy, Ricardo Marques, Rosa Guimarães, Salwa Azar, António Barahona, João Miguel Henriques, Ricardo Álvaro e Rui Cardoso Martins).

Sábado, 18 de Agosto de 2012


A revista TIME OUT desta semana (nº255) menciona a TEA FOR ONE, numa reportagem acerca da livraria PARALELO W.

Terça-feira, 24 de Julho de 2012

A ser lançado na próxima 6ª, pelas 18h, no Teatro A Barraca.

Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

A editora TEA FOR ONE tem o prazer de convidar V. Exa. para o lançamento do livro "De fio a pavio" (antologia de poemas sobre o azeite), que terá lugar na Sexta-feira, dia 27 de Julho, pelas 18h, no bar do Teatro A Barraca (Largo de Santos, 2, em Lisboa). A obra, com grafismo de Inês Mateus, tem o patrocínio da CASA AGRÍCOLA VALBOM. Nela constam poemas de Alexandra Lucas Coelho, A.M. Pires Cabral, Ana Cássia Rebelo, Ana Salomé, Carlos Mota de Oliveira, John Mateer, Luís Filipe Parrado, Manuel Filipe, Manuel Paes, Maria da Conceição Caleiro, Pedro S. Martins, Ricardo Álvaro e Rui Miguel Ribeiro. Na ocasião, haverá lugar a uma prova de azeites.

Terça-feira, 12 de Junho de 2012

Pode dizer-se que, no seu livro de estreia, Em Caso de Tempestade Este Jardim Será Encerrado (Tea For One), Inês Dias (1976) elege a recordação e o inescapável da ausência como marcos assinaláveis na sua jornada. Não para que esta decorra sem sobressaltos, mas para que, perante ela, se desenhe um ponto de fuga, um núcleo organizador de sentido. De resto, estes versos deixam perceber que «nunca se chega ao fim da rua/ mais escura do passado» (p.19).
Terreno perigoso, potencialmente mortífero, o da infância – «Escorre docemente/ do envelope a rua estreita/ que me parecia só acabar/ no mar.» (p.7). No entanto, mais do que o passado – potencialmente refém de uma nostalgia que poderia tolher o verso –, importa o intersectar dele por um presente confrontado por memórias e duras metamorfoses. Mas um trabalho de palavras e de gestão de lastros gera um afastamento capaz de melhor sentir a sua pulsação. Por exemplo, na escassez de ligamentos entre palavras, ou por uma elisão de termos nucleares, como o próprio verbo – «Tudo tão alto então – as casas, os braços» (p.7). Ou por via de uma superação de sentidos, na constatação de um mais vasto horizonte onde tudo antes se estreitara – «o desmoronar tímido/ da última casa em que podia/ deixar confiadamente o coração/ para ir correr mais leve» (p.7).
A consciencialização – dura, violenta, irresistível – do poder aniquilador da escrita é transposto para o poema pela exactidão implacável do instrumento da escrita, que, no trânsito de tensões que percorrem o poema, estabelece uma homologia com formas e matizes – «na literalidade dos meus cinco anos,/ cabelo em forma de pássaro – negro/ asa de corvo.// Era o tempo em que ainda/ aprendia com o corpo todo/(…) Quando ela me cravou um lápis/ sob o olho esquerdo, pressenti que a escrita,/ grafite fria à flor do sangue,/ deixaria marcas para sempre.» (p.8) Em vez de mera resposta a um propósito de obtenção de efeitos, é inevitabilidade e constatação, a violência convocada – «cravou», «à flor do sangue», ou mesmo a aparentemente banal constatação da temperatura da «grafite», ou a simples tenacidade das «marcas», com as possibilidades ramificantes de sentido que naquele vocábulo se fundam.
O avisado desvirtuar de um tópos – «E até os ciprestes se tornaram redundantes/ ao ponto de os abatermos:/ a ausência diz-se melhor no esplendor/ inútil das rosas sem esse olhar/ nas papoilas que duram/ o tempo de uma fotografia.» (p.13) – faz-se pela subtil comutação de «rosa» por «papoilas», acrescentando à fugacidade da imagem canónica («rosa») o negativo, a dissolução, da nova formação floral («papoilas»), que acumula a carga negativa (?) de esquecimento, dormência (presciência de morte?), prenunciada, aliás, por «ciprestes». Por fim, as imagens (delidas?) da flor são substituídas pela surgida «fotografia», que, de repente, torna obsoletas as anteriores, por sobreposição – uma nova caducidade, actual, presente, que plasma na imagem (fotográfica) o sempre transitório.
Perante a inexorabilidade da perda, diante do compulsivo vazio, esta poesia prefere ao simplesmente elegíaco uma notação de maior complexidade e espessura. Um estágio em que se crê num certo poder redentor da palavra sem que essa projecção traia uma confiança excessivamente inocente – «na esperança de que um poema,/ mesmo sem selo branco, dure mais/ do que uma estação» (p.12)

Hugo Pinto dos Santos

Sábado, 19 de Maio de 2012


O poeta no subterrâneo

Manuel de Freitas, 40 anos, é um autor tão prolífico quanto Gonçalo. Ambos se estrearam em 2000 e publicaram desde então dezenas de livros. Manuel não se desdobrou em traduções nem em géneros. Mas será a voz mais influente da poesia portuguesa surgida em Lisboa na última década. Sextas, sábados e vésperas de feriado, é possível encontrá-lo num bar apropriadamente subterrâneo, o Bartleby, em homenagem ao “Bartleby” de Melville, personagem que sempre responde: “Preferia não o fazer.” A declinação como resistência. Entra-se por um boteco em que nada chama, nada seduz. Lá dentro há umas escadas para o subsolo, mas só desce quem sabe. Lá em baixo é um barzinho sem janela, chão de tábua, luz de “abajour”. Ao centro podem estar sentados, por exemplo, os poetas Diogo Vaz Pinto e David Teles Pereira, ambos a meio dos 20, a dizerem alternadamente traduções de poesia espanhola, um com papéis, o outro com iPad. Na parede há um manuscrito de Herberto Helder, 81 anos, o maior poeta vivo português. Ao balcão, a tirar cervejas, estará o poeta Miguel Martins, co-sócio do Bartleby (com Manuel de Freitas, a sua mulher Inês Dias, que recentemente se estreou como poeta, e Rui Miguel Ribeiro, também autor). Às vezes aparece Rui Pires Cabral, 44 anos, poeta de culto desde os anos 90.Manuel e Inês já eram editores da Averno. Diogo e David fizeram a Língua Morta. Miguel, a Tea for one. Um triângulo para a publicação de poesia. O Bartleby é o encontro de todos. “Só posso falar com alguma propriedade da Averno e do Bartleby”, diz Manuel, quanto à crise, por mail. “Em ambos os casos se poderia falar de crise permanente, uma vez que atingimos ou aliciamos públicos extremamente diminutos. A Averno sempre vendeu muito pouco, o Bartleby nunca deu lucro – ou raramente.” Mas “talvez por um certo instinto suicidário, não destituído de profunda convicção estética, a Averno nunca teve um ritmo editorial tão intenso como em 2012” e o Bartleby tem tido “uma programação de que poucos bares (em Portugal e não só) seriam capazes”. A saber, apenas nos últimos dois meses: “Emory Douglas, ministro da Cultura dos Black Panthers, o poeta e performer sueco Karl Holmqvist, o fadista Ricardo Ribeiro, o saxofonista George Haslam, etc., etc. Tudo isto, obviamente, ocorre de modo deliberadamente periférico. Tiragens de 300 exemplares para livros de poesia são perfeitamente razoáveis para um país como Portugal; e, no Bartleby, cabem no máximo 40/50 pessoas. Devemos ter atingido esse máximo ontem, no lançamento do primeiro número do ‘Cão Celeste’ (revista de Crítica e Provocação dirigida por mim e pela Inês). Mas, em geral, somos quatro ou cinco, por vezes dez, a ler ou a ouvir poemas, algumas canções.”No coração fundo de Lisboa. “De ambos — Averno ou Bartleby — eu poderia falar como uma esplanada diante do abismo. Não há melhor vista.”

Alexandra Lucas Coelho, jornal "O Globo" (Brasil), 14 de Maio de 2012

Quinta-feira, 17 de Maio de 2012


No próximo Sábado será inaugurado um novo espaço, em Lisboa, onde os livros da TEA FOR ONE se encontrarão à venda. Rua dos Correeiros, 60, 1º Esq

Horário:
3ª a 6ª feira, 14h-20h
Sáb. e Dom., 10h-20h

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012


Esclarecimento

Depois de assinar algumas
declarações de responsabilidade,
puseram-me ao centro do ginásio
de uma escola antiga, alguém encostou
a porta com um silêncio de exame, disse-me
que todos os presentes eram meus amigos.
Agarrei-me ao plinto para falar,
estenderam-me uma laranjada insípida,
lembrando, mais uma vez, o corpo da seca travessia.
Deu-me então para ficar tímido e tropecei em cada um dos
doze passos, com direito a alguns desmaios pelo caminho.

Poema de FREDERICO PEDREIRA, incluído no livro "Doze Passos Atrás", a editar proximamente pela TEA FOR ONE.

Domingo, 29 de Abril de 2012


Syntagma

Um homem matou-se na Praça Syntagma dias depois
de eu voltar. Vista da Colina das Musas, Atenas brilhava
até ao Pireu de onde os barcos partem para Creta. É longe,
Creta, nunca vi o palácio de Knossos, a cisterna onde
foram encontradas azeitonas ainda carnudas. O azeite vinha
dos deuses, ouro líquido. Iluminava o corpo dos atletas
e a noite. Não fui a Creta mas comi o pão de Atenas com azeite
de Creta. Em qualquer mesa havia azeite, qualquer
azeite era bom. Os gregos fazem-no desde que escrevem.

Pouco antes das nove da manhã um homem matou-se
na Praça Syntagma dias depois de eu voltar. Atenas
brilhava nas esplanadas, branca, dourada, morena. Guardei
três ramos de azeitonas como as de Knossos, como
as de Delfos quando subi ao meio-dia até ao Estádio. A
essa hora, untados de azeite, os atletas seriam flechas
de luz. Os vencedores recebiam uma coroa e o ouro
dos deuses. No novo mundo, o azeite é ouro por causa
do preço. Deus passou a ser um.

Com um tiro de revólver, um homem matou-se na Praça
Syntagma dias depois de eu voltar. Segundo os jornais, terá
gritado: não quero deixar dívidas aos meus filhos. Foi na
Primavera, Atenas brilhava, verde, branca, amarela
das azedas. A natureza nada sabe do desastre, o corpo
tombou num tapete de flores: Dimitris Christoulas,
farmacêutico reformado. Na Grécia antiga havia receitas
de azeite para 60 males. Talvez Dimitris conhecesse alguma
mas não para o velho mundo, e não para a morte.

Alexandra Lucas Coelho
Rio, 27-4-2012
Poema que figurará no volume colectivo "De fio a pavio", a editar proximamente pela Tea For One.

Segunda-feira, 2 de Abril de 2012

Revista "Tempo Livre" (INATEL) - Abril 2012

Terça-feira, 27 de Março de 2012

Alguns aspectos do lançamento do mais recente livro de Marta Chaves








Domingo, 25 de Março de 2012


A POESIA É O MENOS

A poesia é o menos, escreveu um dos meus poetas de cabeceira. E é mesmo o menos, no sentido em que não deve bastar-se a si própria ou assumir-se como um fim. Não é que a alquimia das palavras, dos sons, das quebras de verso e estrofe deva ser esquecida, pelo contrário; mas, se o poema se fechar sobre si, contente como um gato adormecido ao sol no seu poiso habitual, estamos perante uma aparência de poesia, estéril, e não a própria poesia. Esta deve ser o menos, porque soube partir de tudo, para o integrar, alterar, superar. Deve ser, acima de tudo ou antes de mais, um princípio activo – o mudar de vida, por exemplo, de Rimbaud.

Se falo disto, é porque o livro da Marta tem justamente um título em que a poesia se assume como acção, em que amor e vida não são apenas conceitos, mas verbos, uma prática: Dar-te amor e tirar-te a vida. Aliás, este título introduz desde logo um dos aspectos centrais no livro, que é o da relação com o outro, ao repetir essa segunda pessoa do singular em que a acção percute. Ao longo destes poemas, suceder-se-ão, de facto, os verbos que configuram o diálogo entre um eu e um tu: disse-te, diria, se me ouvisses… Tal como se acumulam as marcas da dificuldade, da quase impossibilidade do encontro que se deseja em cada diálogo: desconhecias, estranhavas, resistias…

A mesma dificuldade, no fundo, que se impõe na relação do eu com o tempo. Há inclusivamente um verso em que se lê Vivo entre, não em, uma fórmula que resume a condição de quem tenta resolver o passado para pensar o presente e ganhar ainda o futuro. E aqui a poesia surge como lucidez; diria, utilizando as palavras da Marta, como a face mais lúcida desse encontro. Porque a poesia – não a aparência da poesia, mas a poesia – permite-nos aquietar o tempo, arrumar o vazio e o silêncio para conseguir descobrir as matrizes a salvar, sejam elas outras ou, como neste livro, a infância, o amor, a razão. A poesia permite-nos dizer as coisas e continuar, assim, para além delas, sobreviver. É o contrário desse ver de costas que aparece num dos poemas como imagem do afastamento do mundo; é antes a recuperação da capacidade de estar atenta aos mistérios, de Andar por entre livros/ à procura do caminho de regresso a casa. – e a expressão é novamente da Marta.

Regresso à proposição inicial: a poesia é o menos. Da Marta, Amiga, o que posso dizer – e é tanto – é que é sempre, assumidamente, ela toda. E que o faz sem deixar ninguém para trás, vendo-nos também por inteiro. Este livro lê-se da mesma maneira: assumidamente ele, por inteiro, mas deixando espaço para que também nós dialoguemos com ele e nos possamos encontrar mais um pouco. A poesia, a verdadeira, exige esse tipo de disponibilidade, esse tipo de compromisso da parte de quem escreve e de quem lê, consigo próprio e com o mundo. Por outras palavras, as de um poeta nosso, o Manoel de Castro, um homem pode o seu coração:/ o que tem a verdade. Isso é, repito, já tanto.


Inês Dias
Bar A Barraca, 24 de Março de 2011

Quarta-feira, 21 de Março de 2012

Acaba de sair e inclui 6 poemas de Inês Dias e 1 de Vasco Gato editados pela Tea For One



Resumo – A poesia em 2011
vários autores

ISBN: 978-989-97719-1-8
21 de Março de 2012


Formato: 15×21cm (encadernado)
Número de páginas: 192
PVP: 4 euros

UMA EDIÇÃO DOCUMENTA
em exclusivo para a Fnac
[também disponível nas livrarias Assírio & Alvim]
por ocasião do
DIA MUNDIAL DA POESIA

O presente volume pretende ser uma antologia dos melhores poemas publicados em Portugal ao longo de 2011. Esta selecção, sublinhe-se, não é o espelho de um forçado ou espontâneo consenso, mas o simples somatório das preferências de quatro leitores, cujas escolhas surgem devidamente atribuídas no índice do livro.
Esperamos que esta «colheita lírica do ano» venha possibilitar a justa divulgação de poemas que, em muitos casos, foram retirados de obras com tiragem reduzida ou de difícil acesso.

Armando Silva Carvalho, José Alberto Oliveira, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas

Terça-feira, 13 de Março de 2012

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Encomendas:

t41editores@gmail.com

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012


Na próxima 5ª feira, dia 1 de Março, pelas 22.30h, no Bartleby (R. Imprensa Nacional, 116B, cave do restaurante BS) será lançado o livro "Este é o meu sangue" (antologia de poemas inéditos sobre o vinho), em que participam Abel Neves, A. Maria de Jesus, Clara Caldeira, Inês Dias, Jaime Rocha, John Frey, Levi Condinho, Luís Pedroso, Manuel da Silva Ramos, Manuel de Freitas, Marta Chaves, Ricardo Álvaro, Rui Azevedo Ribeiro, Rui Caeiro e Vasco Gato. A edição é da Tea For One e o grafismo da Inês Mateus.

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Duas passagens da entrevista de Luís Miguel Queirós a http://tantaspaginas.wordpress.com


Confesso que houve um momento em que receei o pior e achei que se tinha acabado a festa: foi quando, a propósito de uma crítica favorável de António Guerreiro ao livro A Porta de Duchamp, de Rosa Maria Martelo, o editor-antólogo-poeta-romancista Jorge Reis-Sá (nós tigres…) lançou, numa crónica, esta indignada pergunta: “Alguém me pode explicar a pertinência jornalística de um texto críptico do António Guerreiro sobre um livro de prosa poética que tira 300 exemplares impresso num semanário que tira 120000?” Felizmente, parece que o dr. Balsemão não leu a crónica, tendo em conta que a última recensão de Guerreiro que me lembro de ter lido foi a um livro que tirou 150 exemplares: Em caso de Tempestade Este Jardim Será Encerrado, de Inês Dias.

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Como estou neste momento a ler o que saiu em 2011 para a escolha que tenho de fazer para o próximo volume da antologia anual Resumo, lembrei-me de ir ver a proveniência de todos os livros de que pré-seleccionei pelo menos um poema. Para chegar às escassas dezenas que posso escolher, faço sempre uma primeira triagem megalómana de algumas centenas de poemas (já expliquei que gosto de listas), e depois vou reduzindo o rol em sucessivas triagens. Descontadas as revistas, pré-seleccionei desta vez um ou mais poemas de 32 livros. A distribuição por editoras parece-me bastante sintomática (e talvez não apenas sintomática do meu próprio gosto). Quase um terço dos livros, como se pode ver na lista que a seguir transcrevo, é da Averno. Seguem-se duas chancelas clássicas de poesia, a Assírio & Alvim e a & etc., respectivamente com quatro e três livros, sendo que, no caso da Assírio, dois são compilações acrescidas de inéditos. Outras editoras com tradição na poesia, como a Relógio d’Água ou a Cotovia estão ainda menos representadas. Por outro lado, se somarmos os livros publicados por editoras de pequena dimensão chegamos a dois terços do total. Estou a contabilizar uma editora como a Averno, que não é uma micro-editora, e até tem hoje uma dimensão significativa no domínio específico da poesia, mas que não deixa de ser uma editora pequena, que não pretende ser generalista e que raramente publica um livro com mais de 300 exemplares. Nesse sentido, talvez se pudesse, apesar dos seus pergaminhos, acrescentar à lista a & etc.

Averno – 10
Assírio & Alvim – 4
& etc – 3
Artefacto – 2
Cotovia – 2
Língua Morta – 2
Cosmorama – 1
D. Quixote – 1
Letra livre – 1
Mariposa Azual – 1
Poesia Incompleta – 1
Relógio D’Água – 1
Tea for One – 1
Ulisseia – 1
50 Kg – 1

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012


"Em Equilíbrio No Tempo", de Manuel Paes, o mais recente título Tea For One.

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012


http://www.livrariasolmar.blogspot.com

Os Melhores de 2011 - Poesia

Poesia, Saudade da Prosa, Manuel António Pina, Ed. Assírio & Alvim.

Antologia Açoriana, João Miguel Fernandes Jorge, Urbano, Ed. Governo Regional dos Açores.

Dois Poetas e Um Pintor, António Teves, Emanuel Jorge Botelho, Urbano, Ed. Artes e Letras.

Em Caso de Tempestade Este Jardim Será Encerrado, Inês Dias, Ed. Tea For One.

Nervo, Diogo Vaz Pinto, Ed. Averno.

A propósito de "Napule", de Vasco Gato, a Tea For One é também mencionada na revista Jazz.pt deste mês.

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012


http://camaraclara.rtp.pt/#/agenda/2/1326243661/

Aos 1' 37'', a Tea For One no Câmara Clara

A foto aparece no blog da Tea for One com a seguinte legenda: «Inês Dias com o pleno da edição de ‘Em caso de tempestade este jardim será encerrado’ (foto de Marta Chaves)». Inês ri mas percebemos que o volume ainda pesa e não dá muito jeito a transportar; e o autor do post e editor, Miguel Martins, ri-se manifestamente com a legenda que escreveu para a foto que Marta Chaves tirou, enquanto (de certeza) esta dizia a Inês para se rir para o passarinho.

Eis, pois, a diferença empírica entre um livro de poesia e um romance: a edição do romance não caberia num pacote transportável pelo autor. Seria caso para perguntar, entretanto, o que justifica, na era do digital, esta insistência na edição do «livro de poesia». O romance, é sabido, está a acompanhar a grande migração do livro para o e-book, seguido de perto pelo ensaio. O livro infantil será a próxima vítima, seguramente, já que a interactividade activada pela ilustração e pela relação entre esta e o texto só ganhará com a passagem a uma plataforma que permita inflacionar a dimensão lúdica do objecto. O iPad é um instrumento decisivo nesta migração, já que tudo aquilo que se dizia serem os trunfos do formato «códice» – saltos para a frente e para trás na leitura, anotações, etc. – é permitido pelo tablet, que ainda introduz novas e impressionantes valências na área do «manuseio» da obra. E contudo, na remota aldeia da poesia um punhado de gauleses resiste até ao fim…

A resistência é tão-mais impressionante quanto o livro de poesia é tipografia mínima: não há nada a inventar no que toca à paginação de um poema. A diferença entre as boas e más edições de poesia reside justamente aqui: as más são quase sempre aquelas que rejeitam este axioma e tentam descobrir a pólvora. No caso das boas, a diferença entre umas e outras tem sobretudo a ver com o formato da página, por vezes demasiado magra, outras vezes demasiado quadrada. Se assim é, a pergunta seria: neste momento, qual a mais-valia da edição em papel em relação a um e-book de poesia legível num Kindle? Pois se é possível argumentar que o iPad, enquanto dispositivo de leitura (enquanto meta-dispositivo que comporta dentro de si outro dispositivo de leitura para livros), é distractivo, já que oferece demasiadas possibilidades de «saída» e interacção com a net, o Kindle, por seu turno, é um dispositivo deliberadamente pobre, ou restritivo, já que se limita a oferecer, no seu pequeno ecrã, uma página para leitura, ainda que com possibilidades de interacção com o texto (anotação, saltos para a frente e para trás, etc.). Ou seja, entre a tipografia mínima do livro de poesia e a legibilidade máxima do Kindle pareceria poder estabelecer-se uma aliança duradoura: o Kindle, digamo-lo tecnicamente, favorece a close reading, o método «naturalizado» de ler poemas no Ocidente. Essa aliança, e esse é o ponto, parece favorecer ainda a economia pobre da aldeia da poesia, na medida em que, em princípio, corta drasticamente custos na cadeia de produção e, logo, no consumo.

Não é isso, porém, o que sucede, pelo menos ainda nesta fase do devir técnico aplicado ao livro de poesia. Pelo contrário, um imaginário de resistência parece animar as «pequenas / tripulações» (Diogo Vaz Pinto) que em Portugal se vão encarregando da tarefa de editar os livros de estreia dos poetas da nova geração, mas não apenas. Esta resistência tem, como sempre em fases de mutação tecnológica e civilizacional, uma visível duplicidade, já que oscila entre uma atitude ludita, demasiado próxima de um certo pitoresco humanista anti-tecnologia, e a recuperação de toda uma erótica dos materiais do livro: gramagem e textura de papéis e cartolinas, manuseabilidade, portatibilidade, enfim, a leveza do livrinho de poesia como traço do Livro enquanto objecto com (e de) peso. É esta erótica que a foto de Inês Dias segurando toda a edição do seu livro nos dá a ver, não só na contiguidade corporal entre autora e livro, mas sobretudo na possibilidade de a autora sobraçar, melhor, abraçar e, logo, possuir, o todo da sua obra enquanto coisa no mundo. Obviamente, é esta dimensão que o e-book aliena de modo radical, alienando assim a possibilidade de em torno de um pacote de livros se constituir uma comunidade aspirando a um regime de co-presença. O outro nome de uma comunidade assim imaginada é, admita-se, seita.

Uma seita que é, ao mesmo tempo, uma internacional: uma internacional de artesãos num mundo hipertécnico, mas uma internacional potenciada precisamente por esse devir hipertécnico. Não apenas pelos aspectos propriamente comunicacionais que a revolução digital trouxe, favorecendo a proximidade entre gente afastada por continentes e oceanos, incentivando pois a prática da tradução e circulação de poemas, mas também pelo facto paradoxal de que o livro de poesia em papel como forma de resistência ao e-book e à desmaterialização é hoje, em todas as fases da sua produção (paginação, desenho da capa, envio de provas por pdf), com excepção da da tipografia final, e mesmo essa apenas parcialmente, um produto dos novos meios (sem esquecer a promoção e comercialização de todas estas «editoras étnicas» em blogues, Facebook, etc.). A não ser que a resistência se alargue à recuperação da tipografia tradicional, o que sucede porém residualmente na edição de poesia, de novo por razões económicas. Note-se, aliás, que o admirável mundo novo do e-book e do Kindle, ou do iPad, é um mundo para gente graúda, já que a indispensável intermediação da Amazon paga-se bem cara, não estando ao alcance das microeditoras de poesia. Resumindo: os novos meios embaratecem a produção do livro de poesia em papel, livro esse que, entre todas as tipologias do livro, é talvez a que mais resiste ao devir imposto ao livro pelos novos meios no sentido do e-book. Uma seita, pois, ou uma internacional, de hackers, recorrendo a todas as armas fornecidas pelo inimigo para lhe resistir.

Falta referir talvez dois pontos. O primeiro: a insistência num suporte material para o livro de poesia argumenta, em princípio, em favor de uma concepção da linguagem poética que hipertrofia a sua materialidade, na sequência dos gestos já bisseculares de Mallarmé & Co. em torno da «crítica da representação». A questão é contudo paradoxal, uma vez que a materialidade da linguagem poética é a tónica de certas versões do poético para as quais a revolução digital se vem revelando, porventura ilusoriamente, a revelação de um «sentido da História». É o caso da poesia visual, ou experimental, cujas fases anteriores parecem tomadas de vertiginosa obsolescência face às possibilidades activadas pelo software actual e pela explosão da internet, que prometem um mundo de possibilidades (sobre os problemas desta leitura, sugiro um ensaio fundamental de Paulo Franchetti). Em Portugal, contudo, devido à natureza do devir do tronco central da nossa produção poética, a poesia experimental nunca conseguiu abandonar a sua posição periférica e marginal, pelo que a posição marginal a partir da qual as microeditoras de poesia de hoje resistem ao digital se harmoniza sem conflito aparente com a prática de uma poesia que em nada contesta a representação «estabilizada» do poético que se instalou no centro do nosso sistema literário (bem visível na reacção de enfado ante qualquer experimentalismo, seja ele de proveniência concretista e brasileira ou norte-americana e canadiana). O segundo ponto é «institucional» e tem a ver com a constatação de que apesar da proliferação de suportes para a publicação de poesia permitidos pelos novos média, o elemento legitimador da existência de um «novo poeta» permanece o livro em papel. Desse ponto de vista, as esperanças colocadas, em tempos aparentemente já remotos, num novo «mundo da poesia», que naturalmente incorporaria uma crítica aberta aos modos de comunicação possibilitados pelos novos meios, vêm sendo sistematicamente defraudadas. A atenção crítica à poesia publicada na net é mínima, seja no mundo da imprensa seja no da academia (ainda que bem superior neste ao que sucede naquele, diga-se). Seria talvez necessário que a crítica literária pudesse não ser uma «crítica de livros» para que se viesse a produzir um discurso realmente disponível à consideração de todas as potencialidades dos novos meios neste domínio – e, de novo, só a universidade contém essa possibilidade, que não se afadiga porém a explorar, uma vez que na imprensa, e mais especificamente no jornalismo cultural, a crítica literária não é pensável fora da figura institucional da «crítica de livros», uma subfigura do ramo de actividade centrado nas «novidades editoriais».

Em todo o caso, a alegria de Inês Dias permanece. E, com ela, a dos leitores/recolectores de livros de poesia.


Osvaldo Manuel Silvestre
http://tantaspaginas.wordpress.com/2012/01/15/a-autora-com-a-edicao-nas-maos/#more-444

Sábado, 14 de Janeiro de 2012


Lançamentos TEA FOR ONE previstos para o próximo trimestre:

- "Em Equilíbrio no Tempo", de Manuel Paes;

- "Este é o meu sangue" (antologia de poemas inéditos sobre o vinho): Abel Neves, A. Maria de Jesus, Clara Caldeira, Inês Dias, Jaime Rocha (foto), John Frey, Levi Condinho, Luís Pedroso, Manuel da Silva Ramos, Manuel de Freitas, Marta Chaves, Ricardo Álvaro, Rui Azevedo Ribeiro, Rui Caeiro, Vasco Gato;


- Livro-poster de Clara Caldeira (foto) e Luís Henriques;

- "Dar-te amor e tirar-te a vida", de Marta Chaves.